“Lembro da primeira vez em que o vi, fazia frio, e eu estava gripando. Entrei no ônibus e assim que cheguei foi como se um alarme tivesse soado alertando minha entrada, já que você virou o corpo bruscamente, dando a impressão de que já me esperava. O ônibus estava meio vazio, e de cara eu te avistei. Você me olhava como se eu fosse uma velha amiga, daquelas do colegial, que vão embora da cidade com seus pais, deixando a escola, e uma penca de amigos. Coisa de filme, eu sei. Esqueci de contar que minha mente é fértil e produz cenários incríveis. Lembro de tê-lo fitado por alguns segundos, até que uma senhora um tanto desagradável, quase me jogou ao chão na intenção de seguir ao acento preferencial. Você sorriu, e eu desmanchei. Enfim sentei-me ao seu lado, abri um livro, queria que me achasse culta, inteligente. Você abaixou a cabeça, tentando ler o nome do livro, “A Cabana”, eu respondi. Você não disse uma palavra sequer, mas riu, ao notar minha mancha no braço em forma de coração, puxei a manga do casaco, é estranho, mas sinto-me vulnerável ao notarem minha marquinha. Você cheirava a saudade, nostalgia, o que não faz sentido, já que não o conhecia. Você estava inquieto, bagunçava o cabelo, mexia no celular, e eu tentava imaginar o que você fazia no dia-a-dia, qual era o seu nome, sua idade, se namorava, ou estava se recuperando de um relacionamento frustrado. Queria te conhecer, saber quem era. O que parecia uma bobagem, afinal, você era um estranho como qualquer outra pessoa ali naquele ônibus. Se a minha mãe estivesse lendo isso, se assustaria, afinal, eu estava apta a quebrar a regra número 1º do manual dos filhos “Nunca fale com estranhos na rua. ” Mas era por uma boa causa, e além disso, ele não parecia um psicopata, tudo bem que assassinos não andam com uma faixa informando que são assassinos, mas ele era lindo demais, e eu me recusava a pensar noutra coisa que não fosse o seu sorriso. Ele tocou de leve a minha perna, novamente sorriu, perguntou as horas, “17:30”, respondi. Um piscar de olhos, seguido de um “obrigado”. Ele só pode estar flertando comigo, pensei. Ele me olhou desde que entrei nesse ônibus, sorriu, sentei ao seu lado, e ele quis saber o nome do livro que eu tinha em mãos, reparou em minha mancha, tocou minha perna, perguntou as horas, piscou os olhos, e novamente sorriu. É claro que ele estava flertando. Tomei coragem e decidi falar com ele, mas era tarde, perdi tanto tempo imaginando, que nem percebi que ele havia ido embora. Fiquei triste, eu nem sequer perguntei seu nome, seu número, eu não fiz nada que mostrasse interesse. Naquele dia, voltei pra casa um tanto angustiada, não conseguia pensar noutra coisa, se não o garoto do ônibus. Me senti boba, frustrada, sem sombra de dúvidas, aquela foi a minha paixão mais rápida e também a mais estranha. Com o passar do tempo, o encanto aquietou-se, e eu já não pensava nele com tanta frequência. A noite era o momento em que eu mais recordava daquele riso gostoso, imaginava o que estava fazendo, ou se depois daquele dia, ele havia pensado em mim também, mesmo que por alguns instantes. É ingênuo admitir que eu sentia saudades de um alguém que mal conhecia, logo eu, tão regrada e correta, apaixonada por um estranho qualquer. Os dias que se seguiram fizeram com que a imagem do garoto se desestruturasse, borrasse um pouco, e eu só conseguia lembrar com nitidez do som que o seu sorriso emitia. O resto tornou-se borrões. Estava tudo bem, o coração organizado, a mente em paz, tudo perfeito. Até que um dia, topei de jantar com umas amigas num restaurante de comida chinesa, não é a minha predileta, mas, não quis fazer desfeita. Chegando lá, nos acomodamos, e iniciamos uma conversa. Passado exatos 30 minutos, o garçom veio até mim, entregando-me um bilhete amassado, abri, e lá estava: “Sobe um pouco esse casaco, ele cobre o sinal lindo em seu braço, e desde que o avistei, fiquei encantado. Deixa de ser boba, você é incrível. E a propósito, você irá me emprestar aquele livro, né? ps: Eu me chamo Tyler. Nem preciso contar que fiquei extasiada, mal conseguia levantar os olhos e procurar por ele. Finalmente o garoto do ônibus tinha um nome. Olhei em volta, até o avistar numa mesa, acompanhado de alguns amigos, inevitavelmente ele sorriu, e novamente eu desmanchei. Ele fez um gesto com as mãos, me chamando pra perto, levantei e fui até ele, aquela foi a melhor noite da minha vida. Sabe todas as coisas que eu imaginava que ele fosse? Pois bem, foram superadas, o Tyler é melhor que qualquer imagem projetada ao seu respeito. E querem saber por quanto tempo ficamos juntos? Bem.. Sou casada com um cara que ri gostoso, é apaixonado pelo meu sinal de nascença, ama os livros, e adora comida chinesa.”
Atritar. 

“Ele não ligava, e não mandava mensagem durante semanas. Mas tinha uma mania sacada de aparecer quando já estava desaparecendo da minha cabeça. Era carência, tava na cara - e tava vergonha na minha, porque eu sempre acabava cedendo. Não me dava valor e ainda ficava indignada por ele não me dar também. Eu aceitava ser a última opção e ainda tinha a cara de pau de espernear choramingando que nenhum homem presta. Claro que não presta, pra que presta com alguém que transpira falta de amor próprio? Ninguém ama quem não se ama, ninguém respeita quem não se respeita - doloroso, mas verdadeiro. E quando você ta na onda de ser amada ta tranquilo - um supre a carência o outro e o fim de papo. Mas eu tava afim de sentimento, tava super afim de mãozinha dada e ligação de madrugada só pra ouvir um “tava pensando em você”. E claro que ele não ligava, a gente quase sempre só pensa antes de dormir em quem causa aquele nervosinho de incerteza dentro do nosso peito - e eu tava ali, um poço de certeza, não tinha porque ele pensar. Muito menos ligar. E foi aí que eu mudei. Parei de aceitar o último pedaço do bolo, se o primeiro não fosse pra mim, eu simplesmente ia embora da festa - não me servia mais. E olha que mágico, ele nunca me chamou pra tantas festas e nunca vi alguém me oferecer tantos bolos - a mágica só não foi tão boa porque eu simplesmente não queria mais. Não queria mais mágica, não queria mais bolo, não queria mais ele. Quando a gente começa se valorizar a gente consegue enxergar nitidamente quanto os outros valem - e ele valia tão pouco, desencantei. Peguei meu coração e coloquei lá em cima de uma árvore alta, e vou te falar, nunca vi tanta gente disposta a escalar - homem adora um desafio. Pois bem, que vença o melhor.”
— Vi no Twitter

“Se eu fosse eu, reagiria. Diria exatamente o que eu penso e sinto quando alguém me agride sem perceber. Deixaria minhas lágrimas rolarem livremente, não regularia o tom de voz, nem pensaria duas vezes antes de bronquear, mesmo que mexicanizasse a cena. Reclamaria em vez de perdoar e esquecer, em vez de deixar o tempo passar a fim de que a amizade resista, em vez de sofrer quieta no meu canto. Se eu fosse eu, não providenciaria almoço nem jantar, comeria quando tivesse fome, dormiria quando tivesse sono, e isso seria lá pelas nove da noite, quando cai minha chave-geral. Acordaria então às cinco, com toda a energia do mundo, para recepcionar o sol com um sorriso mais iluminado que o dele, e caminharia a cidade inteira, até perder o rumo de casa, até encontrar o rumo de dentro. Se eu fosse eu, riria abertamente do que acho mais graça: pessoas prepotentes, que pensam saber mais do que os outros, e encorajaria os que pensam que sabem pouco, e sabem tanto. Eu faço isso às vezes, mas não faço sempre, então nem sempre sou eu. Se eu fosse eu, não evitaria dizer palavrões, não iria em missa de sétimo dia, não fingiria sentir certas emoções que não sinto, nem fingiria não sentir certas raivas que disfarço, certos soluços que engulo. Se eu fosse eu, precisaria ser sozinha. Se eu fosse eu, agiria como gata no cio, diria muito mais sim. Se eu fosse eu, falaria muito, muito menos. E menos mal que sou eu na maior parte do dia e da noite, que sou eu mesma quando escrevo e choro, quando rio e sonho, quando ofendo e peço perdão. Sou eu mesma quando acerto e erro, e faço isso no espaço de poucas horas, mal consigo me acompanhar. Se eu fosse indecentemente eu, aquele eu que refuta a Bíblia e a primeira comunhão, aquele eu que não organiza sua trajetória e se deixa levar pela intuição, aquele eu que prescinde de qualquer um, de qualquer sim e não, enlouqueceria, eu.”
Martha Medeiros.   

“Tenho sentido coisas inexplicáveis, carências incuráveis. Ninguém acredita, mas eu sou uma pessoa muito sozinha. Não pense que isso é ruim não, porque ruim é não sentir nada, a solidão faz parte. Tenho sentido uma vontade sobrenatural de ligar para alguém que já não me atenderia mais, tenho vontade de dizer que faz falta o que não vivi.”
Caio Fernando Abreu.   



“Não conheço uma pessoa que não goste de acordar com um bilhete, um carinho, um café na cama, um beijo, um abraço, um telefonema “dormiu bem?”, um sorriso, um chamego. Não conheço uma única alma que nunca pensou em ter alguém para ligar no meio da tarde só para dizer que estava com saudade. Aposto que você, você que diz não ser romântico, se emociona quando vê uma cena de amor no cinema. Sei que você gosta que te façam mimo quando você adoece. Sei que você gosta de ouvir como é importante para alguém. Sei que você gosta de florzinhas na mesa na hora do jantar, sei que você gosta de dançar coladinho, sei que você fica feliz ao receber um cd gravado com músicas exclusivas. Músicas exclusivas que alguém exclusivo gravou para você simplesmente pelo fato de você ser exclusivo.”
Clarissa Corrêa. 


“Eu jurei te amar independente de tudo, e ao contrário do que muitos acreditavam, estou cumprindo com a minha promessa. Você foi e está sendo minha unica promessa intacta, a unica promessa que eu não quebrei, não desonrei, não deixei de lado. Sabe por que? Porque entre muitos eu escolhi você, e algum motivo deve ter. Eu não lhe escolheria se fosse pra ficar de papo com qualquer outro, não lhe escolheria se não tivesse a certeza que pertenço à você, de corpo e alma, de uma forma que jamais pertenci a outra pessoa, eu não te escolheria, se não tivesse a certeza viva de que isso é amor, de que é isso que eu quero pro resto da minha existência. Meu amor, eu tenho toda a certeza do mundo em mim, tenho a certeza, no meu coração que vibra ao ouvir tua voz, de como ilumina meu dia cada “eu te amo” que você me diz. Eu tenho a certeza, pois sua presença vem se tornando indispensável no meu dia-à-dia, e é essa presença que eu sei que quero, ao acordar, ao passar do dia e da noite, nas madrugadas, é essa a companhia que quero ter. Quero essa tua calma na minha vida, quero nossas certezas se misturando e se tornando uma só. Eu quero eu e você, você e eu, eu quero nós dois juntos, sem mais incômodos ou confusões, quero teu cheiro na minha roupa, tua boca na minha, tua respiração no meu pescoço, quero amanhecer e acordar olhando pra esse teu sorriso. Eu quero você de todas as formas imagináveis, quero bravo, sorridente, briguento ou carinhoso, te quero com todos seus humores instáveis, desde o mau humor até a felicidade, quero todas as suas fases, suas manhas e tuas manias. Eu quero você, e vou continuar querendo até meu último suspiro.”
Eduarda Pinheiro.